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20 de março de 2026

20.3.26

Receita Federal antecipa programa do IRPF 2026 e amplia tempo de preparação dos contribuintes

 

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Liberação antecipada do sistema permite organização financeira mais eficiente e aumenta chances de restituição rápida.


A Receita Federal do Brasil surpreendeu milhões de contribuintes ao antecipar a liberação do Programa Gerador da Declaração do Imposto de Renda Pessoa Física (PGD IRPF 2026), uma medida que promete impactar diretamente a forma como os brasileiros se organizam para cumprir suas obrigações fiscais. Inicialmente previsto para ser disponibilizado na manhã do dia 20 de março, o sistema foi liberado ainda na noite do dia anterior, demonstrando um avanço significativo na modernização dos serviços públicos digitais e reforçando o compromisso do órgão com eficiência, agilidade e transparência.

Download do Programa de Imposto de Renda

Baixe aqui o Programa Gerador de Declaração (PGD) da Declaração do Imposto sobre a Renda das Pessoas Físicas (DIRPF).

Meu Imposto de Renda


A declaração do imposto sobre a renda das pessoas físicas também pode ser preenchida de forma online, pelo e-CAC, sem precisar baixar ou instalar nenhum programa, ou, ainda, pelo app Receita Federal para celulares e tablets.

Essa antecipação, embora possa parecer apenas um ajuste técnico, representa uma mudança estratégica importante. Ao permitir que os contribuintes tenham acesso prévio ao programa, a Receita Federal oferece mais tempo para que cada cidadão organize seus documentos, revise suas informações e evite erros comuns que podem levar à malha fina. Em um cenário onde o prazo de entrega segue relativamente curto — com início oficial em 23 de março — qualquer dia adicional de preparação pode fazer toda a diferença, especialmente para aqueles que possuem múltiplas fontes de renda, investimentos ou dependentes.


Antecipação do sistema reflete evolução tecnológica e integração de equipes

Segundo informações da própria Receita, a liberação antecipada só foi possível graças ao aprimoramento dos processos internos e à integração eficiente entre as equipes de desenvolvimento, testes e homologação. Esse avanço evidencia uma transformação digital consistente dentro do órgão, que vem investindo em tecnologia para simplificar a vida do contribuinte e reduzir falhas operacionais.


A estabilidade do sistema em todas as plataformas — incluindo computadores, dispositivos móveis e acesso online — foi um fator determinante para essa decisão. Isso significa que o contribuinte pode iniciar o preenchimento com segurança, sem receio de instabilidades ou perda de dados, algo que historicamente gerava preocupação nos primeiros dias de liberação do programa.


Além disso, a antecipação reforça uma tendência já observada nos últimos anos: a digitalização dos serviços públicos como ferramenta de inclusão e eficiência. Ao oferecer um sistema mais robusto e acessível, a Receita Federal contribui para democratizar o acesso à informação e facilitar o cumprimento das obrigações fiscais por parte da população.

Mais tempo para organizar documentos e evitar erros na declaração


Um dos principais benefícios da liberação antecipada do PGD IRPF 2026 é a possibilidade de organização prévia da documentação. Muitos contribuintes deixam para reunir informes de rendimentos, comprovantes de despesas médicas, dados bancários e informações de dependentes apenas próximo ao prazo final, o que aumenta significativamente o risco de erros e inconsistências.


Com o programa já disponível, é possível iniciar o preenchimento gradualmente, revisando cada informação com calma e atenção. Esse processo reduz a probabilidade de cair na malha fina e aumenta a segurança na transmissão dos dados. Além disso, permite identificar com antecedência eventuais pendências ou documentos faltantes, evitando correria de última hora.

Outro ponto relevante é que o preenchimento antecipado favorece uma melhor análise das deduções legais, possibilitando ao contribuinte otimizar sua declaração dentro dos limites permitidos pela legislação. Isso pode resultar em maior restituição ou menor valor de imposto a pagar, dependendo do caso.


Declaração antecipada pode garantir prioridade na restituição

Um dos grandes atrativos para quem se antecipa é a possibilidade de receber a restituição mais rapidamente. A Receita Federal segue critérios específicos para definir a ordem de pagamento, incluindo prioridade para idosos, pessoas com deficiência, professores e contribuintes que optam pela declaração pré-preenchida e pelo recebimento via Pix.


No entanto, há um fator adicional que pode influenciar diretamente: a data de envio da declaração. Quem entrega primeiro, desde que sem erros ou inconsistências, tende a ser incluído nos primeiros lotes de restituição. Dessa forma, a liberação antecipada do programa cria uma oportunidade estratégica para quem deseja garantir esse benefício.


Para contribuintes que não utilizam a declaração pré-preenchida, essa antecipação é ainda mais relevante. O preenchimento manual exige mais tempo e atenção, e começar antes pode representar uma vantagem significativa na organização e na qualidade das informações prestadas.


Período oficial de entrega permanece inalterado

Apesar da antecipação do programa, o calendário oficial da declaração do Imposto de Renda 2026 permanece o mesmo. O prazo para envio das declarações começa em 23 de março e segue até 29 de maio. Isso significa que, embora seja possível iniciar o preenchimento antes, a transmissão só poderá ser realizada dentro desse período.


Essa estratégia permite que o contribuinte utilize o tempo adicional para revisar sua declaração quantas vezes for necessário antes do envio definitivo. Trata-se de uma abordagem mais segura e eficiente, que reduz erros e melhora a qualidade das informações prestadas.


Impactos para diferentes perfis de contribuintes

A antecipação do PGD IRPF 2026 beneficia diferentes perfis de contribuintes de maneiras distintas. Para trabalhadores assalariados com renda fixa e poucas variáveis, o impacto pode ser mais relacionado à conveniência e à organização. Já para profissionais autônomos, empresários e investidores, o benefício é ainda mais significativo, considerando a complexidade das informações envolvidas.


Além disso, contribuintes que possuem rendimentos no exterior, operações em bolsa de valores ou múltiplas fontes de renda podem aproveitar esse tempo adicional para realizar uma análise mais detalhada de suas movimentações financeiras, garantindo maior precisão na declaração.


A importância da conferência de dados mesmo com facilidades digitais

Mesmo com a evolução das ferramentas digitais e a ampliação da declaração pré-preenchida, a responsabilidade pelas informações continua sendo do contribuinte. Isso significa que qualquer erro ou inconsistência pode gerar problemas futuros, independentemente da origem dos dados.


Portanto, é fundamental revisar cuidadosamente todas as informações antes do envio. Isso inclui verificar valores, dados bancários, informações de dependentes e documentos comprobatórios. A conferência minuciosa é a melhor forma de evitar cair na malha fina e garantir uma declaração correta.


Multas e penalidades ainda exigem atenção

Outro ponto que não pode ser ignorado é o risco de penalidades para quem não cumprir o prazo de entrega. A multa mínima é de R$ 165,74, podendo chegar a até 20% do imposto devido. Além disso, a ausência de declaração pode deixar o CPF irregular, gerando uma série de restrições na vida financeira do contribuinte.


A antecipação do programa, portanto, também funciona como uma ferramenta de prevenção, incentivando o cumprimento das obrigações fiscais dentro do prazo e evitando problemas futuros.


Tecnologia como aliada do contribuinte

A disponibilização antecipada do PGD IRPF 2026 reforça o papel da tecnologia como aliada do contribuinte. Com sistemas mais estáveis, acessíveis e intuitivos, a tendência é que o processo de declaração se torne cada vez mais simples e eficiente.


Além do programa para computador, o contribuinte também pode utilizar plataformas online e aplicativos móveis, ampliando as possibilidades de acesso e facilitando o envio das informações.


Conclusão: antecipação representa oportunidade estratégica

A decisão da Receita Federal de antecipar a liberação do programa do Imposto de Renda 2026 vai além de uma simples mudança no calendário. Trata-se de uma estratégia que oferece mais autonomia, organização e eficiência ao contribuinte, permitindo que ele se prepare com antecedência e evite erros.


A recomendação é clara: aproveite esse tempo extra para organizar sua documentação, revisar suas informações e garantir uma declaração correta e sem complicações. Em um cenário cada vez mais digital e dinâmico, a antecipação pode ser o diferencial entre uma experiência tranquila e uma série de problemas fiscais.



19 de março de 2026

19.3.26

Imposto de Renda 2026: veja os riscos, multas e consequências graves para quem não entregar a declaração

 

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Contribuintes que ignorarem o prazo podem enfrentar penalidades financeiras, CPF irregular e até problemas legais com a Receita Federal


Com a chegada do período de entrega do Imposto de Renda 2026, milhões de brasileiros precisam ficar atentos às regras, prazos e, principalmente, às consequências de não cumprir essa obrigação fiscal. A declaração do imposto não é apenas uma formalidade: trata-se de um compromisso legal com o Estado, cuja negligência pode gerar sérios impactos financeiros e restrições na vida civil do contribuinte.


A Receita Federal do Brasil estabelece anualmente o calendário para envio da declaração, e o não cumprimento dentro do prazo resulta automaticamente em penalidades. A principal delas é a multa por atraso, que começa em R$ 165,74 e pode chegar a até 20% do imposto devido. Esse valor pode aumentar rapidamente, especialmente para contribuintes com rendimentos mais elevados ou com imposto a pagar.


Além da multa, o contribuinte que deixa de entregar o Imposto de Renda 2026 pode ter o CPF classificado como “pendente de regularização”. Essa situação, muitas vezes subestimada, pode trazer diversos transtornos, como dificuldades para abrir contas bancárias, solicitar crédito, financiar imóveis, participar de concursos públicos e até mesmo emitir passaporte. Em outras palavras, a omissão fiscal impacta diretamente a vida financeira e social do cidadão.


Outro ponto crítico está relacionado ao cruzamento de dados realizado pela Receita Federal. O sistema do órgão é altamente tecnológico e utiliza informações de bancos, empresas, operadoras de cartão de crédito e outras instituições para identificar inconsistências ou ausência de declaração. Ou seja, mesmo quem acredita que “passará despercebido” está sujeito a cair na malha fina, o que pode resultar em fiscalizações mais rigorosas.

Em casos mais graves, a não entrega da declaração pode evoluir para problemas legais. Quando há indícios de omissão de rendimentos ou tentativa de sonegação, o contribuinte pode ser enquadrado em crime contra a ordem tributária. Dependendo da situação, isso pode levar a multas ainda mais pesadas e até processos judiciais.


Vale destacar que a regularização tardia não elimina totalmente os prejuízos. Mesmo que o contribuinte entregue a declaração fora do prazo, ele ainda será obrigado a pagar a multa e possíveis juros. Por isso, a recomendação de especialistas é clara: organizar a documentação com antecedência e cumprir o prazo estabelecido pela Receita Federal.


Diante desse cenário, o Imposto de Renda 2026 reforça a importância da educação fiscal e do planejamento financeiro. Mais do que evitar penalidades, declarar corretamente é uma forma de manter a vida financeira saudável e em conformidade com a legislação brasileira.




17 de março de 2026

17.3.26

TDAH em adultos: estudo revela “microapagões” no cérebro que explicam dificuldade de concentração

 

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Pesquisa internacional aponta que cérebro entra em estado semelhante ao sono mesmo durante tarefas importantes.


Um novo estudo científico trouxe evidências relevantes para compreender por que adultos com Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) enfrentam dificuldades persistentes para manter o foco ao longo do tempo. 

A pesquisa identificou que, mesmo quando estão acordadas e engajadas em atividades que exigem atenção contínua, essas pessoas apresentam padrões cerebrais semelhantes aos observados durante o sono — um fenômeno que pode estar diretamente ligado às falhas de concentração e ao desempenho inconsistente.


O trabalho, publicado no periódico Journal of Neuroscience e conduzido por pesquisadores da Universidade Monash, na Austrália, comparou a atividade cerebral de adultos diagnosticados com TDAH com a de indivíduos sem o transtorno. Os participantes foram submetidos a tarefas que exigiam atenção prolongada, como monitorar estímulos visuais e responder a comandos específicos, permitindo uma análise detalhada do comportamento neural em tempo real.


Cérebro “cansado” mais rápido: o que acontece durante as tarefas

Os resultados mostraram que adultos com TDAH apresentam um número significativamente maior de episódios de ondas cerebrais lentas — um tipo de atividade normalmente associado ao sono ou a estados de sonolência. Esses episódios ocorreram mesmo durante momentos em que os participantes deveriam estar totalmente concentrados, sugerindo que o cérebro “desliga” parcialmente por breves instantes.


Na prática, esses microepisódios impactam diretamente o desempenho: os participantes com TDAH cometeram mais erros, tiveram tempos de reação mais lentos e relataram maior sensação de cansaço durante as tarefas. Esse padrão indica que o problema não está relacionado à falta de esforço ou motivação, mas sim a um funcionamento cerebral distinto, que dificulta a manutenção da atenção de forma contínua.


Não é desinteresse: é funcionamento neurológico

A descoberta reforça uma mudança importante na forma como o TDAH é compreendido. Em vez de ser interpretado como desatenção voluntária ou falta de disciplina, o transtorno passa a ser visto, cada vez mais, como uma condição neurobiológica com mecanismos próprios e mensuráveis.


Os pesquisadores explicam que esse tipo de atividade cerebral semelhante ao sono é algo comum em todos os indivíduos, especialmente durante tarefas longas ou mentalmente exigentes. No entanto, em pessoas com TDAH, esses episódios são mais frequentes e mais intensos, o que compromete a capacidade de manter o desempenho ao longo do tempo.

Esse fenômeno pode ser comparado à sensação de fadiga em atividades físicas prolongadas: assim como o corpo precisa de pausas após esforço contínuo, o cérebro também apresenta sinais de cansaço — mas, no caso do TDAH, esse processo ocorre de forma antecipada e mais recorrente.

Possível chave para novos tratamentos

Além de ampliar a compreensão sobre o transtorno, o estudo abre caminhos promissores para intervenções futuras. Uma das hipóteses levantadas pelos cientistas envolve o uso de estímulos auditivos durante o sono, técnica já estudada em pessoas sem TDAH e que tem demonstrado potencial para regular padrões de ondas cerebrais.

Pinggal aponta que uma próxima etapa da pesquisa pode ser investigar se essa mesma abordagem consegue diminuir esse tipo de atividade em pessoas com TDAH enquanto estão acordadas e realizando tarefas, abrindo caminho para tratamentos que atuem diretamente sobre esse mecanismo cerebral.

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A ideia é que, ao melhorar a qualidade e a organização da atividade cerebral durante o descanso, seja possível reduzir a ocorrência desses “microapagões” ao longo do dia. Caso essa abordagem se mostre eficaz em indivíduos com TDAH, ela poderá representar uma nova estratégia terapêutica, focada diretamente no mecanismo neurológico do transtorno — e não apenas no controle dos sintomas.


O que mostram os mapas cerebrais

As análises também incluíram imagens detalhadas da atividade cerebral dos participantes. Os mapas revelaram que, em adultos com TDAH, as áreas associadas à atenção e ao processamento de informações apresentam maior dispersão de atividade lenta, indicando que diferentes regiões do cérebro entram em estado semelhante ao sono de forma mais frequente.


Esse padrão ajuda a explicar por que manter a concentração por longos períodos pode ser especialmente desafiador para essas pessoas. Em vez de um funcionamento contínuo e estável, o cérebro apresenta oscilações que comprometem a consistência do foco.


Um avanço na compreensão do TDAH em adultos

O estudo representa um avanço significativo na compreensão do TDAH na vida adulta, especialmente ao demonstrar que as dificuldades enfrentadas por esses indivíduos têm uma base biológica concreta e mensurável. Essa perspectiva contribui para reduzir estigmas e reforça a importância de abordagens clínicas mais empáticas e baseadas em evidências.


Ao evidenciar que o cérebro pode entrar em estados semelhantes ao sono mesmo durante a vigília, a pesquisa oferece uma explicação plausível para lapsos de atenção frequentemente relatados por pessoas com o transtorno — e aponta para novas possibilidades de tratamento que podem melhorar significativamente a qualidade de vida desses indivíduos.


Com informações do G1.



17.3.26

Despersonalização e Desrealização: Uma Análise Psicológica, Neurobiológica e Clínica dos Estados Dissociativos

 

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Resumo

A despersonalização e a desrealização configuram fenômenos dissociativos complexos que desafiam tanto a compreensão clínica quanto a experiência subjetiva dos indivíduos afetados. Esses estados são frequentemente descritos como uma desconexão do eu ou da realidade, mantendo-se, contudo, o teste de realidade preservado, o que os distingue de quadros psicóticos. Este artigo tem como objetivo analisar profundamente tais fenômenos sob perspectivas psicológicas, neurobiológicas e clínicas, explorando suas causas, manifestações, mecanismos de defesa, abordagens terapêuticas e implicações sociais. Com base em autores renomados da psicologia, psiquiatria e neurociência, discute-se o papel da ansiedade, do trauma e das condições contemporâneas na emergência desses estados. O estudo propõe uma reflexão crítica sobre a dissociação como mecanismo adaptativo que, quando cronificado, transforma-se em fonte de sofrimento psíquico.


1. Introdução: A Dissociação como Fenômeno Humano

A experiência humana é marcada por uma constante integração entre percepção, emoção e identidade. No entanto, em situações de estresse extremo ou ameaça psíquica, o indivíduo pode recorrer a mecanismos dissociativos como forma de autoproteção. A despersonalização e a desrealização emergem nesse contexto como manifestações específicas dessa dissociação, caracterizadas por uma ruptura na experiência de continuidade do eu e da realidade.


Segundo American Psychiatric Association (2014), tais sintomas são classificados dentro dos transtornos dissociativos, podendo ocorrer de forma isolada ou associados a outras condições, como transtornos de ansiedade e depressão. A compreensão desses fenômenos exige uma abordagem interdisciplinar que considere fatores psicológicos, biológicos e socioculturais.


2. Conceituação de Despersonalização e Desrealização

A despersonalização refere-se a uma experiência subjetiva de estranhamento em relação a si mesmo. O indivíduo pode sentir-se como um observador externo de seus próprios pensamentos, emoções e corpo. Já a desrealização caracteriza-se pela sensação de que o ambiente externo perdeu sua autenticidade, parecendo artificial, distante ou distorcido.

De acordo com Sierra e Berrios (1998), a despersonalização envolve uma alteração na autoconsciência, enquanto a desrealização afeta a percepção do mundo externo. Ambas compartilham a característica fundamental de preservação do juízo crítico, ou seja, o indivíduo reconhece que a experiência não corresponde à realidade objetiva.


3. Bases Neurobiológicas dos Estados Dissociativos

Estudos em neuroimagem indicam que a despersonalização está associada a alterações na atividade do córtex pré-frontal e do sistema límbico. Segundo Phillips et al. (2001), há uma hiperatividade cortical associada à inibição emocional, o que explica a sensação de anestesia afetiva relatada pelos pacientes.

Além disso, o sistema de resposta ao estresse, especialmente o eixo hipotálamo-hipófise-adrenal (HHA), desempenha papel crucial. O excesso de cortisol em situações de estresse crônico pode levar à desregulação emocional e à dissociação como mecanismo adaptativo.


4. Causas e Fatores Desencadeantes

A literatura aponta múltiplos fatores associados ao surgimento da despersonalização e desrealização. Entre os principais destacam-se:

4.1 Ansiedade e Transtornos de Pânico

A ansiedade intensa é um dos principais gatilhos. De acordo com Clark (1986), o ciclo de medo e hipervigilância corporal pode levar a estados dissociativos como forma de reduzir a sobrecarga emocional.

4.2 Trauma e Estresse Extremo

Eventos traumáticos, especialmente na infância, estão fortemente associados à dissociação. Van der Kolk (2014) destaca que o cérebro traumatizado tende a fragmentar a experiência como forma de autoproteção.

4.3 Uso de Substâncias Psicoativas

Substâncias como cannabis e alucinógenos podem induzir episódios dissociativos, especialmente em indivíduos predispostos. Esses estados podem persistir mesmo após a interrupção do uso.

4.4 Transtornos Psiquiátricos Associados

Condições como TEPT, depressão e transtornos de personalidade frequentemente coexistem com sintomas dissociativos, ampliando a complexidade do quadro clínico.

5. Sintomas e Experiências Subjetivas

Os relatos de indivíduos que vivenciam despersonalização e desrealização são marcados por intensa angústia e sensação de perda de controle. Entre os principais sintomas destacam-se:

  • Sensação de estar fora do corpo

  • Alterações na percepção do tempo

  • Redução da resposta emocional

  • Sensação de artificialidade do ambiente

  • Consciência da irrealidade da experiência

Segundo Simeon e Abugel (2006), a manutenção do insight diferencia esses estados de quadros psicóticos, sendo um elemento central para o diagnóstico.


6. Dissociação como Mecanismo de Defesa

A dissociação pode ser compreendida como um mecanismo de defesa do ego. Freud (1920) já apontava para a capacidade da mente de se afastar de experiências dolorosas como forma de autopreservação.

Contudo, quando esse mecanismo se torna crônico, perde sua função adaptativa e passa a gerar sofrimento significativo, comprometendo a qualidade de vida do indivíduo.


7. Impactos na Vida Cotidiana

A despersonalização e desrealização podem afetar profundamente o funcionamento social, profissional e emocional. Indivíduos relatam dificuldades de concentração, sensação de alienação e medo constante de “enlouquecer”.

De acordo com Hunter et al. (2004), esses sintomas podem levar ao isolamento social e à redução do desempenho acadêmico e profissional.


8. Diagnóstico Diferencial

É fundamental distinguir esses estados de outros transtornos, como esquizofrenia e transtornos psicóticos. A principal diferença reside na preservação do teste de realidade.

O diagnóstico deve ser realizado por profissional qualificado, considerando histórico clínico, intensidade dos sintomas e impacto funcional.


9. Tratamento e Manejo Clínico

9.1 Psicoterapia

A Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) é amplamente utilizada no tratamento desses sintomas. Segundo Beck (2011), a reestruturação cognitiva ajuda a reduzir a ansiedade associada à dissociação.

9.2 Intervenções Farmacológicas

Não há medicação específica para despersonalização, mas antidepressivos e ansiolíticos podem ser utilizados para tratar condições associadas.

9.3 Técnicas de Grounding

Estratégias que promovem o contato com o presente, como exercícios sensoriais, são eficazes na redução dos sintomas.

10. Perspectivas Contemporâneas

A vida moderna, marcada por excesso de estímulos, ansiedade e desconexão emocional, pode favorecer o surgimento de estados dissociativos. A hiperconectividade digital, paradoxalmente, contribui para a sensação de desconexão interna.

11. Considerações Finais

A despersonalização e a desrealização representam manifestações complexas da mente humana diante do sofrimento psíquico. Embora inicialmente funcionem como mecanismos de defesa, sua persistência exige intervenção clínica adequada.

A compreensão desses fenômenos deve ir além da patologização, reconhecendo-os como expressões da tentativa do indivíduo de lidar com experiências emocionalmente intoleráveis.


Valdivino Alves de Sousa - CRP 06/198863


Referências 

AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION. DSM-5: Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais. 5. ed. Porto Alegre: Artmed, 2014.

BECK, Aaron T. Terapia Cognitivo-Comportamental: teoria e prática. Porto Alegre: Artmed, 2011.

CLARK, David M. A cognitive approach to panic. Behaviour Research and Therapy, 1986.

FREUD, Sigmund. Além do princípio do prazer. Rio de Janeiro: Imago, 1920.

HUNTER, E. C. M. et al. The epidemiology of depersonalisation and derealisation. Social Psychiatry and Psychiatric Epidemiology, 2004.

PHILLIPS, M. L. et al. Depersonalization disorder: thinking without feeling. Psychiatry Research, 2001.

SIERRA, Mauricio; BERRIOS, Germán E. Depersonalization: neurobiological perspectives. Biological Psychiatry, 1998.

SIMEON, Daphne; ABUGEL, Jeffrey. Feeling Unreal: Depersonalization Disorder and the Loss of the Self. Oxford University Press, 2006.

VAN DER KOLK, Bessel. O corpo guarda as marcas. Rio de Janeiro: Rocco, 2014.



16 de março de 2026

16.3.26

Veja reação de Wagner Moura ao perder Oscar de Melhor Ator, para Michael B. Jordan por sua atuação em 'Pecadores'

 

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Prêmio ficou para Michael B. Jordan por sua atuação em 'Pecadores'

Não deu para Wagner Moura no Oscar 2026. Embora o baiano tenha mostrado que tem o molho e o talento, ele não levou a estatueta de Melhor Ator, ao interpretar Marcelo em O Agente Secreto. Quem ficou o prêmio foi Michael B. Jordan, por sua atuação em Pecadores.


Brasil terminou o Oscar sem nenhuma estatueta; veja como foi a premiação


Apesar de perder para o colega, ele reagiu bem ao saber o resultado. O ator sorriu, se levantou e aplaudiu desde o primeiro segundo que B. Jordan foi anunciado. Ele não demonstrou nenhum sinal de tristeza ou inconformismo por não ter sido o vencedor.

Desde que iniciou a campanha com O Agente Secreto, Wagner Moura já viralizou com seu ‘molho baiano’, trocou português por inglês em uma entrevista sem perceber e até deu uma sambadinha nos bastidores do Globo de Ouro. Tudo isso sem perder o favoritismo ao Oscar. 


As principais publicações americanas, como The New Yorker e o The Hollywood Reporter, publicaram as tradicionais listas de previsões com "quem vai ganhar e quem deveria ganhar" o Oscar 2026. As duas concordaram com o vencedor “moral” na categoria de Melhor Ator: Wagner Moura.

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O Agente Secreto foi indicado a outras três categorias: Melhor Direção de Elenco, Melhor Filme Internacional e Melhor Filme.


Fonte: Portal Terra