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21 de fevereiro de 2026

21.2.26

Pós-carnaval: mais de 100 blocos agitam as ruas de SP neste fim de semana

 

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Para outros, no entanto, carnaval é para se aproveitar durante todo fevereiro, do pré ao pós-carnaval. E, para essa turma, a agenda está cheia.

Pós-carnaval: mais de 100 blocos agitam as ruas de SP neste fim de semana

Entre os grandes nomes, estão Daniela Mercury, Léo Santana, Pedro Sampaio e Baiana System

Para alguns, o fim do carnaval é sinônimo de começo de ano. Nas redes sociais, o cansaço físico e mental depois de tantos dias de folia até rendeu o meme “NDF”, ou “Nojo de Farra”, para simbolizar uma nova era sem purpurina, fanfarra e bebidas alcoólicas.

Para outros, no entanto, carnaval é para se aproveitar durante todo fevereiro, do pré ao pós-carnaval. E, para essa turma, a agenda está cheia.

Mesmo depois de blocos sertanejos, clássicos e até com ritmos de K-pop, o pós-carnaval paulistano promete lotar as ruas com mais de 100 opções de blocos para este final de semana. Entre os grandes nomes, estão Daniela Mercury, Léo Santana, Pedro Sampaio e Baiana System.

LEIA MAIS EMhttps://jovempan.com.br/noticias/brasil/pos-carnaval-mais-de-100-blocos-agitam-as-ruas-de-sp-neste-fim-de-semana.html

21.2.26

Brasil subiu imposto de importação de mais de mil produtos, incluindo smartphones

 

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— Foto: Jornal Nacional/ Reprodução


Brasil subiu imposto de importação de mais de mil produtos, incluindo smartphones


Fazenda argumentou que a penetração de produtos importados está 'níveis que ameaçam colapsar elos da cadeia produtiva e provocar regressões produtiva e tecnológica no país'. Importadores dizem que medida afeta competividade das empresas e tem efeito inflacionário.


O governo brasileiro elevou, no início deste mês, o imposto incidente sobre mais de mil produtos importados do exterior. Entre os itens afetados, estão os telefones inteligentes (smartphones). Veja outros exemplos no fim desta reportagem.


A decisão, que afeta bens de capital, ou seja, máquinas e equipamentos para produção, além de bens de informática e telecomunicação, elevou a taxação dessas compras do exterior em até 7,2 pontos percentuais — impactando setores e consumidores que buscam esses produtos em outros países.







21.2.26

Terras raras: Queremos atrair cadeia dessa riqueza para o Brasil, diz Lula

 

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Presidente Luiz Inácio Lula da Silva  • REUTERS/Adriano Machado

Terras raras: Queremos atrair cadeia dessa riqueza para o Brasil, diz Lula


Declarações foram feitas após acordo sobre minerais críticos com a Índia; Brasil possui a segunda maior reserva desses recursos no mundo


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reforçou a posição estratégica do Brasil como polo de minerais críticos e terras raras.

Em discurso durante o Fórum Empresarial Brasil-Índia, neste sábado (21), o presidente brasileiro comemorou o acordo entre os países sobre o tema e classificou as matérias-primas como "riqueza".

"O Brasil conta com, pelo menos, 26% das reservas mundiais de minerais críticos, tendo apenas 30% de seu território prospectado. Queremos atrair a cadeia de processamento dessa riqueza para o território brasileiro, sem fazer opções excludentes. O acordo que assinamos hoje com a Índia vai nessa direção", disse Lula.


LEIA MAIS EMhttps://www.cnnbrasil.com.br/economia/macroeconomia/terras-raras-queremos-atrair-cadeia-dessa-riqueza-para-o-brasil-diz-lula/



20 de fevereiro de 2026

20.2.26

Você se considera frágil nas relações, sejam sociais ou amorosas?

 

A fragilidade emocional não é fraqueza: é um sinal de experiências não resolvidas que impactam vínculos, autoestima e identidade.
Imagem ChatGpt

A fragilidade emocional não é fraqueza: é um sinal de experiências não resolvidas que impactam vínculos, autoestima e identidade.


Introdução: Fragilidade emocional nas relações – uma questão de identidade e pertencimento

Sentir-se frágil nas relações sociais ou amorosas é uma experiência mais comum do que se imagina, embora muitas pessoas tenham vergonha de admitir. A fragilidade emocional não é sinônimo de fraqueza de caráter, mas pode representar a construção histórica de inseguranças, medos e experiências mal elaboradas ao longo da vida. Quando alguém apresenta medo excessivo de perder vínculos, necessidade intensa de validação e dificuldade em impor limites, estamos diante de um fenômeno psicológico que envolve autoestima, identidade e estruturação do eu.

De acordo com Bowlby (1989), a qualidade dos vínculos estabelecidos na infância influencia profundamente os relacionamentos na vida adulta. Experiências de abandono, rejeição ou instabilidade afetiva podem gerar padrões de apego inseguros que se repetem inconscientemente. Assim, o indivíduo passa a interpretar qualquer sinal de distanciamento como ameaça de abandono real, desenvolvendo comportamentos de submissão emocional para evitar perdas.

A fragilidade relacional, portanto, não nasce no presente. Ela é construída ao longo de trajetórias marcadas por experiências que ensinaram o sujeito que o amor pode ser retirado a qualquer momento. Essa crença, internalizada, molda comportamentos e decisões futuras.


A origem da insegurança emocional: experiências precoces e construção do apego

A Teoria do Apego, desenvolvida por John Bowlby (1989), destaca que a relação estabelecida com figuras cuidadoras influencia diretamente a percepção que o indivíduo terá de si mesmo e dos outros. Quando a criança vivencia abandono, críticas constantes ou instabilidade emocional, ela pode desenvolver apego ansioso ou evitativo. Esses padrões repercutem na vida adulta em forma de insegurança intensa nas relações.

Segundo Ainsworth (1978), indivíduos com apego ansioso tendem a buscar confirmação constante de afeto, demonstrando medo exacerbado de rejeição. Essa necessidade de validação pode se manifestar como ciúme excessivo, dependência emocional ou submissão às vontades do outro. A pessoa passa a acreditar que precisa agradar constantemente para ser amada.

Além disso, experiências de rejeição repetidas na adolescência e juventude reforçam crenças negativas centrais, conceito amplamente discutido por Beck (1997) na Terapia Cognitivo-Comportamental. Crenças como “não sou suficiente” ou “vou ser abandonado” tornam-se esquemas cognitivos que influenciam comportamentos futuros.


VEJA O VÍDEO



Fragilidade não é fraqueza: a diferença entre sensibilidade e dependência emocional


É importante diferenciar fragilidade emocional de sensibilidade saudável. A sensibilidade é uma capacidade empática e relacional, enquanto a fragilidade relacional está associada à dificuldade de sustentar a própria identidade diante do outro.

Rogers (1961) afirma que a congruência entre o self real e o self ideal é essencial para relações saudáveis. Quando o indivíduo se molda constantemente para agradar, ele se distancia de sua autenticidade. A necessidade excessiva de aprovação impede o desenvolvimento de relações equilibradas.

A dependência emocional, por sua vez, ocorre quando o indivíduo coloca o outro como fonte exclusiva de segurança e validação. Segundo Bauman (2004), na modernidade líquida, os vínculos tornaram-se mais frágeis, intensificando a ansiedade de abandono. Isso potencializa comportamentos de apego inseguro e medo constante de rejeição.


O medo de desagradar e a dificuldade de impor limites

Um dos sinais mais evidentes da fragilidade nas relações é o medo intenso de desagradar. Pessoas com esse padrão frequentemente evitam conflitos a qualquer custo, silenciam opiniões e aceitam situações que as machucam para manter o vínculo.

Segundo Cloud e Townsend (1992), a dificuldade em estabelecer limites está diretamente relacionada à culpa internalizada e ao medo de rejeição. O indivíduo acredita que, ao dizer “não”, perderá o amor ou a aprovação do outro. Essa dinâmica gera um ciclo de autoanulação.

A ausência de limites claros compromete a autoestima. Como afirma Rosenberg (1965), a autoestima saudável depende da capacidade de autoaceitação e respeito próprio. Quando a pessoa ignora suas necessidades, ela reforça a crença de que não é digna de consideração.


A anulação do self e suas consequências psicológicas

A autoanulação é um dos efeitos mais prejudiciais da fragilidade relacional. Ao se moldar constantemente às expectativas alheias, o indivíduo perde contato com seus próprios desejos, valores e identidade.

Winnicott (1965) descreve o conceito de “falso self”, que surge quando a pessoa desenvolve uma personalidade adaptativa para sobreviver emocionalmente. Essa estrutura pode funcionar por um tempo, mas gera profundo vazio interno e sensação de não pertencimento.

A longo prazo, essa dinâmica pode desencadear ansiedade, depressão e crises de identidade. O sujeito passa a questionar quem realmente é, pois sempre viveu para atender expectativas externas.


Relações saudáveis exigem identidade fortalecida

Relacionamentos equilibrados não são construídos sobre medo, mas sobre escolha consciente. Para que haja vínculo saudável, é necessário que cada indivíduo tenha identidade estruturada e autoestima consolidada.

Segundo Maslow (1954), a necessidade de pertencimento é legítima, mas só pode ser plenamente satisfeita quando as necessidades básicas de segurança e autoestima estão minimamente atendidas. Caso contrário, o vínculo torna-se mecanismo de compensação emocional.

Identidade fortalecida significa reconhecer limites, valores e necessidades próprias. Significa compreender que o amor não exige autoanulação, mas reciprocidade.


Estratégias para fortalecer a autoestima e superar a fragilidade relacional

Superar a fragilidade emocional exige autoconhecimento e, muitas vezes, acompanhamento psicológico. A psicoterapia possibilita identificar crenças disfuncionais e reconstruir padrões de relacionamento.

Beck (1997) destaca que a reestruturação cognitiva permite modificar pensamentos automáticos negativos. Ao questionar crenças como “vou ser abandonado”, o indivíduo começa a desenvolver novas formas de interpretar situações.

Além disso, práticas de assertividade, como descritas por Alberti e Emmons (2008), auxiliam no desenvolvimento da capacidade de expressar sentimentos e necessidades sem agressividade ou submissão.

Outro aspecto essencial é aprender a tolerar a possibilidade de rejeição. Relações saudáveis não garantem ausência de conflitos, mas garantem respeito mútuo.


O ciclo da insegurança e como interrompê-lo

A fragilidade relacional cria um ciclo: medo de abandono → comportamento de submissão → autoanulação → perda de autoestima → aumento do medo. Interromper esse ciclo exige consciência e ação.

Segundo Frankl (1984), o ser humano possui liberdade interior para ressignificar experiências. Reconhecer padrões repetitivos é o primeiro passo para transformá-los.

É fundamental compreender que não é possível controlar o comportamento do outro, mas é possível fortalecer a própria estrutura emocional. Ao assumir responsabilidade pelo próprio crescimento, o indivíduo deixa de viver em função do medo.


Considerações finais: Fragilidade como ponto de partida para crescimento

Sentir-se frágil nas relações não é motivo de vergonha. É um sinal de que há feridas emocionais que precisam ser cuidadas. A fragilidade, quando reconhecida, torna-se oportunidade de reconstrução interna.

Relações saudáveis exigem identidade fortalecida, autoestima estruturada e capacidade de impor limites. O amor não deve ser sustentado pelo medo da perda, mas pela liberdade de escolha e reciprocidade.

Ao desenvolver autoconhecimento e buscar apoio quando necessário, é possível transformar insegurança em maturidade emocional. A fragilidade deixa de ser prisão e torna-se caminho de crescimento pessoal e relacional.




 Valdivino Alves de Sousa
 Psicólogo – CRP 06/198683
📲 Instagram: @profvaldivinosousa




Referências 

AINSWORTH, M. D. S. Patterns of attachment. Hillsdale: Erlbaum, 1978.

BAUMAN, Z. Amor líquido: sobre a fragilidade dos laços humanos. Rio de Janeiro: Zahar, 2004.

BECK, A. T. Terapia cognitiva: teoria e prática. Porto Alegre: Artmed, 1997.

BOWLBY, J. Apego e perda. São Paulo: Martins Fontes, 1989.

CLOUD, H.; TOWNSEND, J. Limites. São Paulo: Vida, 1992.

FRANKL, V. Em busca de sentido. Petrópolis: Vozes, 1984.

MASLOW, A. Motivation and personality. New York: Harper & Row, 1954.

ROGERS, C. Tornar-se pessoa. São Paulo: Martins Fontes, 1961.

ROSENBERG, M. Society and the adolescent self-image. Princeton: Princeton University Press, 1965.

WINNICOTT, D. W. O ambiente e os processos de maturação. Porto Alegre: Artmed, 1965.




19 de fevereiro de 2026

19.2.26

Por que o narcisista se faz de vítima? - A inversão de responsabilidade como mecanismo de autoproteção

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Imagem ChatGpt

 A inversão de responsabilidade como mecanismo de autoproteção psíquica e manipulação emocional nas relações abusivas


Introdução: Narcisismo, vitimização e poder psicológico

O comportamento do indivíduo com traços narcisistas tem sido amplamente estudado pela Psicologia Clínica e pela Psicanálise, especialmente quando se trata de suas estratégias defensivas diante de críticas, frustrações ou ameaças à autoimagem. Uma das estratégias mais recorrentes é o fenômeno da autovitimização: o narcisista se coloca no papel de vítima como forma de autoproteção psíquica e manutenção de controle sobre o outro. Essa dinâmica não ocorre de maneira ingênua ou casual, mas está profundamente relacionada à estrutura da personalidade narcisista e aos mecanismos de defesa que sustentam sua identidade.

A autovitimização funciona como um escudo emocional. Ao inverter papéis, o narcisista evita assumir responsabilidade por seus comportamentos e desloca a culpa para a pessoa que o confronta. Trata-se do que a literatura psicológica denomina inversão de responsabilidade, um mecanismo defensivo que preserva a autoimagem grandiosa e impede o contato com sentimentos de inadequação, vergonha ou fracasso.

Segundo Freud (1923), os mecanismos de defesa são estratégias inconscientes utilizadas pelo ego para lidar com conflitos internos. No caso do narcisismo patológico, essas defesas assumem formas mais rígidas e manipulativas, uma vez que a estrutura do self é frágil e depende intensamente da validação externa.


Narcisismo: bases conceituais e estrutura psíquica

O conceito de narcisismo foi introduzido por Freud (1914) em “Sobre o narcisismo: uma introdução”, onde descreve o investimento libidinal voltado para o próprio ego. Embora o narcisismo seja parte do desenvolvimento humano saudável, ele se torna problemático quando assume caráter rígido e defensivo, configurando o que atualmente é descrito como Transtorno de Personalidade Narcisista no DSM-5 (AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION, 2014).

Kernberg (1975) aprofunda essa compreensão ao afirmar que o narcisismo patológico está associado a uma organização borderline da personalidade, marcada por sentimentos intensos de vazio, necessidade constante de admiração e incapacidade de tolerar frustrações. Quando confrontado, o narcisista não experimenta apenas um desconforto comum, mas uma ameaça existencial à sua identidade idealizada.

Kohut (1971), por sua vez, destaca que o narcisista depende da validação externa para sustentar seu self. Quando essa validação falha, ocorre uma “ferida narcísica”, desencadeando reações defensivas intensas, entre elas a autovitimização.


A inversão de responsabilidade como mecanismo de defesa

Um dos aspectos centrais do comportamento narcisista é a dificuldade de assumir responsabilidade por falhas ou erros. Ao ser confrontado, o narcisista frequentemente reage com dramatização, distorção de fatos ou acusações dirigidas à própria vítima. Esse processo psicológico é conhecido como inversão de responsabilidade.

Segundo Beck et al. (2004), indivíduos com traços narcisistas tendem a reinterpretar situações de modo a proteger sua autoestima. Em vez de reconhecer um erro, reinterpretam o evento como perseguição, injustiça ou ataque pessoal. Essa reformulação cognitiva cria uma narrativa na qual o narcisista se apresenta como injustiçado.

A inversão de responsabilidade não é apenas um comportamento consciente de manipulação; muitas vezes, ela opera em nível inconsciente. O ego precisa preservar a coerência da autoimagem grandiosa. Admitir culpa implicaria reconhecer imperfeição, algo intolerável para essa estrutura psíquica.

VEJA O VÍDEO 



A dramatização como estratégia de confusão emocional

Quando confrontado, o narcisista pode reagir com intensa dramatização emocional. Ele eleva o tom, distorce fatos, chora, acusa ou cria narrativas paralelas que deslocam o foco da discussão. O objetivo — ainda que inconsciente — é gerar confusão emocional na vítima.

Essa estratégia é frequentemente associada ao fenômeno conhecido como gaslighting, termo derivado da peça “Gas Light” (1938), em que um personagem manipula a percepção da realidade de outro. Embora o termo tenha se popularizado recentemente, o fenômeno psicológico é amplamente reconhecido na literatura sobre abuso emocional.

De acordo com Hirigoyen (2002), a manipulação psicológica visa fragilizar a percepção da vítima, levando-a a duvidar de si mesma. Quando o narcisista se coloca como vítima, ele desloca a culpa e transforma o agressor em ofendido. A vítima, então, passa a questionar sua própria interpretação dos fatos.


A preservação da autoimagem grandiosa

A autoimagem do narcisista é sustentada por uma estrutura idealizada. Ele precisa se perceber como superior, correto, admirável ou injustiçado. Essa necessidade constante de grandiosidade impede o reconhecimento de falhas. Quando surge uma crítica, a estrutura psíquica reage como se estivesse diante de uma ameaça à própria identidade.

Segundo Kohut (1977), a ferida narcísica gera reações desproporcionais porque toca em núcleos profundos de insegurança. Assim, ao se fazer de vítima, o narcisista restaura simbolicamente sua posição de superioridade moral. Ele passa de agressor a injustiçado, recuperando o controle da narrativa.

Essa inversão também reforça sua posição de poder na relação. Ao se colocar como vítima, ele obriga o outro a assumir o papel de culpado, criando um ciclo de culpa e submissão.


Frustração e intolerância à crítica

A dificuldade de lidar com frustrações é uma das marcas centrais do narcisismo. Diferentemente de indivíduos com autoestima estável, o narcisista experimenta críticas como ataques pessoais devastadores.

Millon (2011) descreve que personalidades narcisistas apresentam baixa tolerância à frustração e forte tendência à externalização da culpa. Em vez de refletir sobre a crítica, o narcisista projeta no outro a responsabilidade pelo conflito. Esse mecanismo reduz temporariamente a ansiedade interna, mas perpetua padrões abusivos.


Impactos psicológicos na vítima

A vítima de um narcisista frequentemente experimenta confusão, culpa e insegurança emocional. Ao ser constantemente acusada ou responsabilizada, começa a duvidar de sua própria percepção. Essa dinâmica gera desgaste psicológico significativo.

Segundo Walker (1979), no contexto de relacionamentos abusivos, a inversão de papéis é uma estratégia recorrente que mantém o ciclo de abuso. A vítima se sente responsável por reparar danos que não causou, enquanto o agressor se apresenta como fragilizado.

Esse padrão pode levar a sintomas de ansiedade, depressão e perda de autoestima, especialmente quando a vítima permanece por longo período na relação.


O controle como objetivo central

Embora nem sempre seja plenamente consciente, o objetivo central da autovitimização narcisista é manter controle. O controle pode ser emocional, financeiro, social ou psicológico. Ao se fazer de vítima, o narcisista mobiliza empatia, culpa e medo no outro.

Esse mecanismo é particularmente eficaz em relações afetivas, familiares ou profissionais, onde existe vínculo emocional prévio. A vítima, desejando reparar o sofrimento aparente do narcisista, acaba cedendo, reforçando o ciclo de manipulação.


Considerações clínicas e possibilidades de intervenção

Do ponto de vista clínico, o tratamento do narcisismo patológico exige abordagem cuidadosa e prolongada. A psicoterapia psicodinâmica e a terapia cognitivo-comportamental apresentam evidências na reestruturação de crenças distorcidas e fortalecimento da tolerância à frustração.

No entanto, é fundamental destacar que mudanças significativas só ocorrem quando há reconhecimento do padrão disfuncional — algo raro em estruturas narcisistas rígidas. Para as vítimas, o processo terapêutico é essencial para reconstrução da autoestima e fortalecimento de limites.


Conclusão: compreender para não se culpar

O narcisista se faz de vítima não por fragilidade genuína, mas como estratégia psíquica de autoproteção e manutenção de controle. A inversão de responsabilidade, a dramatização e a distorção de fatos são mecanismos que preservam sua autoimagem grandiosa e evitam o contato com sentimentos de inadequação.

Compreender essa dinâmica é fundamental para romper ciclos abusivos. A informação psicológica fundamentada permite que vítimas reconheçam padrões manipulativos e recuperem sua autonomia emocional.



Valdivino Alves de Sousa
 Psicólogo – CRP 06/198683
📲 Instagram: @profvaldivinosousa



Referências 

AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION. Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais: DSM-5. 5. ed. Porto Alegre: Artmed, 2014.

BECK, A. T. et al. Terapia cognitiva dos transtornos da personalidade. Porto Alegre: Artmed, 2004.

FREUD, S. Sobre o narcisismo: uma introdução (1914). In: ______. Obras completas. Rio de Janeiro: Imago, 1996.

FREUD, S. O ego e o id (1923). In: ______. Obras completas. Rio de Janeiro: Imago, 1996.

HIRIGOYEN, M. F. Assédio moral: a violência perversa no cotidiano. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2002.

KERNBERG, O. Borderline conditions and pathological narcissism. New York: Jason Aronson, 1975.

KOHUT, H. The analysis of the self. New York: International Universities Press, 1971.

MILLON, T. Disorders of personality. New York: Wiley, 2011.

WALKER, L. The battered woman. New York: Harper & Row, 1979.