Publicado em: 26 de maio de 2026
Moraes aciona PGR sobre possível inclusão de Jair e Flávio Bolsonaro em investigação do STF
Ministro do Supremo dá prazo de cinco dias para parecer da Procuradoria-Geral da República sobre pedido que busca ampliar inquérito envolvendo Eduardo Bolsonaro e suposta atuação nos Estados Unidos
Uma nova movimentação no Supremo Tribunal Federal (STF) colocou novamente a família Bolsonaro no centro do debate político e jurídico do país. O ministro Alexandre de Moraes determinou que a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifeste, em até cinco dias, sobre um pedido que busca incluir o ex-presidente Jair Bolsonaro e o senador Flávio Bolsonaro em um inquérito já em andamento contra Eduardo Bolsonaro.
A solicitação ocorre em meio a investigações que apuram suposta atuação internacional do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro junto a autoridades norte-americanas. O caso envolve acusações relacionadas à possível tentativa de constrangimento institucional contra autoridades brasileiras, além de alegações de interferência no curso de processos judiciais.
A decisão de Moraes não significa, neste momento, a inclusão automática de Jair Bolsonaro e Flávio no inquérito. O despacho representa uma etapa processual em que a PGR será responsável por avaliar os elementos apresentados e emitir um parecer antes de eventual decisão do STF.
O que motivou o pedido de ampliação da investigação
O pedido para ampliar o alcance do inquérito foi apresentado pelo deputado federal Lindbergh Farias, do PT do Rio de Janeiro. O parlamentar argumenta que há indícios que justificariam a análise da participação do ex-presidente Jair Bolsonaro e do senador Flávio Bolsonaro nos fatos investigados.
Segundo a petição enviada ao Supremo, a investigação deveria apurar uma possível relação entre negociações financeiras envolvendo o financiamento do filme Dark Horse, cinebiografia sobre Jair Bolsonaro, e a atuação internacional atribuída a Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.
A avaliação apresentada ao STF sustenta a hipótese de que recursos financeiros ligados ao projeto audiovisual poderiam ter sido usados, integral ou parcialmente, em ações de articulação política internacional.
O documento pede que o Supremo investigue se houve utilização desses recursos para atividades como lobby político, campanhas de comunicação, articulações diplomáticas e eventual pressão institucional contra autoridades brasileiras.
O que é o inquérito nº 4.995
O caso gira em torno do Inquérito nº 4.995, atualmente em tramitação no Supremo Tribunal Federal.
A investigação apura supostas ações de Eduardo Bolsonaro em território norte-americano relacionadas a pedidos de sanções contra autoridades brasileiras, além de possíveis iniciativas ligadas à imposição de restrições diplomáticas e econômicas ao Brasil.
Na semana anterior à decisão de Moraes, o procurador-geral da República, Paulo Gonet Branco, apresentou manifestação pedindo a condenação de Eduardo Bolsonaro no âmbito da investigação.
De acordo com o entendimento apresentado pela Procuradoria, o ex-deputado teria atuado nos Estados Unidos buscando estimular medidas internacionais contra integrantes do Judiciário brasileiro e setores ligados ao Estado brasileiro.
O papel do filme Dark Horse na nova fase do caso
Um dos pontos que mais chamam atenção na petição apresentada ao STF envolve o filme Dark Horse, projeto audiovisual que pretende retratar a trajetória política de Jair Bolsonaro.
Segundo documentos mencionados no pedido de investigação, haveria negociações financeiras envolvendo o senador Flávio Bolsonaro e o empresário Daniel Vorcaro, apontado como dono do Banco Master, para o financiamento do longa-metragem.
Os valores mencionados nos documentos variariam entre US$ 24 milhões e US$ 26,8 milhões, cifra que passou a despertar interesse investigativo após questionamentos sobre a destinação dos recursos.
O argumento apresentado pelo deputado Lindbergh Farias sustenta que a produção do filme poderia ter como finalidade não apenas reconstruir a imagem pública de Jair Bolsonaro, mas também fortalecer articulações internacionais ligadas a pedidos de anistia e defesa política do ex-presidente.
A petição sugere que parte desses recursos poderia ter sido destinada ao financiamento de ações internacionais conduzidas por Eduardo Bolsonaro.
Até o momento, não há decisão judicial confirmando qualquer irregularidade relacionada ao projeto audiovisual.
Por que Alexandre de Moraes acionou a PGR
Ao receber o pedido de ampliação do inquérito, Alexandre de Moraes optou por seguir o procedimento jurídico padrão: ouvir previamente a Procuradoria-Geral da República.
No sistema judicial brasileiro, a PGR exerce papel central em investigações envolvendo autoridades com foro privilegiado, sendo responsável por avaliar se existem fundamentos suficientes para abertura ou ampliação de apurações.
O parecer solicitado por Moraes deverá analisar se os elementos apresentados justificam a inclusão de Jair Bolsonaro e Flávio Bolsonaro na investigação já existente.
Após receber a manifestação da Procuradoria, caberá ao ministro decidir se arquiva o pedido, mantém o escopo atual do inquérito ou amplia formalmente a investigação.
Quais medidas foram pedidas contra Flávio Bolsonaro
Além da inclusão do senador no inquérito, a petição apresentada ao STF solicita diversas medidas cautelares.
Entre os pedidos estão:
- Apreensão do passaporte de Flávio Bolsonaro;
- Proibição de deixar o país sem autorização judicial;
- Impedimento de contato com Daniel Vorcaro e outros investigados;
- Bloqueio de bens e movimentações financeiras relacionadas ao caso;
- Compartilhamento de provas entre investigações já existentes;
- Acompanhamento financeiro por órgãos como Coaf, Receita Federal, Banco Central e Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
Também foi solicitado apoio da Polícia Federal para cruzamento de dados financeiros e cooperação internacional com autoridades norte-americanas.
O objetivo, segundo o pedido apresentado, seria rastrear possíveis fluxos de recursos ligados ao filme Dark Horse e verificar se houve destinação financeira para atividades políticas ou jurídicas fora do país.
O que acontece agora
Com a decisão de Moraes, o próximo passo será a manifestação formal da Procuradoria-Geral da República.
A PGR possui prazo de cinco dias para apresentar seu entendimento sobre o pedido feito ao Supremo.
Esse parecer poderá influenciar diretamente os rumos do caso, já que servirá de base para uma eventual decisão sobre a inclusão ou não de Jair Bolsonaro e Flávio Bolsonaro no inquérito que atualmente investiga Eduardo Bolsonaro.
O episódio acrescenta um novo capítulo à série de investigações envolvendo integrantes do núcleo político ligado ao ex-presidente e promete intensificar os debates políticos e jurídicos nas próximas semanas.
Independentemente do desfecho, o caso deve seguir no centro das atenções, tanto pelo impacto político quanto pelas implicações jurídicas que podem surgir ao longo do andamento processual.
Matéria produzida com base em informações do Portal Metrópoles.





